a street
eine Strasse
une rue
una calle
een straat

Rapidinho porque tenho que sair. Já to escrevendo isso na quinta de manhã e to a fim de ir na City hoje. Pois bem, acho que ontem deve ter sido o dia mais especial até agora. Logo de manhã, um prosaico passeio pelos Kensington Gardens e pelo Hyde Park, ouvindo Diana Krall. Não tinha trilha sonora melhor, com certeza.
À tarde, British Music Experience. Eu a-d-o-r-o música britânica, definitivamente. A maioria das coisas que eu ouço saíram daqui. E, à noite, show da Diana Krall. Valeu cada pence dos £45. Ela tava em casa, como mesmo disse: super bem humorada, contando caso… teve hora que me senti em um show de stand-up comedy. Tocou música brasileira (bossa nova), como era de se esperar. Na hora em que ela tava contando que estava bêbada em um bar de São Paulo, eu comecei a gritar e aplaudir. Só eu, actually. Os italianos atrás de mim até comentaram alguma coisa, foi divertido. Ela tocou “A Case Of You”, da Joni Mitchell. Quase chorei, é linda demais.
Na volta, ao invés de ir vir pro hostel, peguei um ônibus pra Oxford Street pra poder ir ao Soho. Mas um pedaço da Oxford tava fechada e o motorista se perdeu -ANDOU EM CÍRCULO, JURO - até começar a seguir outro ônibus. Então, só deu tempo de passar num McDonald’s e correr pro Tube, que tava pra fechar. Vou ver hoje como voltar do Soho pra cá. E amanhã eu vou na Popstarz.
Mind the gap.

Aluguei uma bicicleta. Bati numa van, machuquei o lábio, ganhei uma história p/ contar. À noite, bêbado, saí andando por Amsterdã. Acabei entrando numa balada de música eletrônica e A-M-E-I. Pulei muito. E nem fui pra pegar ninguém, já que tava com a boca machucada. Nossa, foi sensacional. Diversão sem pressão.
Tinha um casal de alemães aqui no quarto supersimpático. Vieram get stoned em Amsterdã. A mocinha era doida pra conhecer a América do Sul. Recomendei São Paulo. :)
To comendo decentemente pela primeira vez nessa viagem. To indo almoçar na biblioteca.
para cada uma das cidades, um moleskine. todos os dias -só falhei em um- escrevia um pouco sobre o que havia sido o dia no lugar e minha impressão sobre as coisas e as pessoas. vou colocar, aos poucos, os mais publicáveis aqui. este primeiro é sobre o último dia em berlim. o relato foi escrito já em amsterdã.

Já escrevendo isso sentado num banquinho da Leidsegracht, em Amsterdã. Vou sentir saudades de Berlim - a imagem da Fernsehturm vista da saída da Galeria Kaufhof não sai da minha cabeça.
Cheguei a ir a Tegel pra tentar trocar a passagem e ir pra Antuérpia ver o Arctic Monkeys. Ficou bem cara toda a troca - algo em torno de R$ 1.500. A mocinha da Air France que me atendeu foi supersimpática, tentou todas as possibilidades. A menos pior envolvia trocar a volta para o Rio. Talvez, num arroubo de loucura, eu faça essa troca. Vou até tentar numa loja da Air France aqui em Amsterdã.
Berlim foi maravilhosa, a melhor cidade a que fui na vida. Quero voltar lá logo. Marcou pra cacete. É uma cidade (literalmente) onde todos são loiros de olhos azuis - ou seja, o meu tipo. =P
Volto a escrever mais tarde sobre Amsterdã, já no outro moleskine.
Auf Wiedersehen Berlin,
Küsse.
maybe, i don’t really wanna know
how your garden grows.
i just want to fly.
maybe i will never be
all the things that i want to be
but now is not the time to cry
now’s the time to find out why
i think you’re the same as me?
é. era isso. e tá na hora.
A trilha sonora
E eu achava que ia ser alguma coisa do Kings of Leon. Que nada. Acabou sendo a música que eu mais ouvi nessa viagem (inclusive no meu iPod): “I Wanna Dance With Somebody”, da Whitney Houston
1. I’ll Take You There - General Public
2. I Bet You Look Good On The Dancefloor - Arctic Monkeys
3. The Way We Get By - Spoon
4. Freedom 90 - George Michael
5. Ants Marching - Dave Matthews Band
6. In Hiding - Pearl Jam
7. Heavy Metal - Clap Your Hands Say Yeah
8. Banquet - Bloc Party
9. On Your Own - Blur
10. All Blues - Miles Davis
a lista original tinha 13, mas consegui, com dó, cortar pra 10.
eles tinham se conhecido por amigos em comum e há um tempo conheciam um ao outro. nada era muito sério, pelo menos em princípio. uma balada aqui, outra ali, precisou de umas três para que trocassem telefones e combinassem a primeira onde se encontrariam. na primeira vez, algo tinha sido diferente. na segunda, na terceira, na quinta, ainda havia o gosto de novo. tudo ia muito bem, mas tudo nublou. começava a chover na esquina da paulista com a augusta. algo tinha saído errado e os dois discutiam e diziam que aquilo não estava certo, e porque você fez isso comigo? e porque você briga tanto assim comigo? o tempo nublado, que tinha virado garoa, tinha virado temporal, cinco e meia da tarde. as pessoas da rua se abrigavam embaixo do center três e eles paravam na paulista com a augusta em frente ao semáforo que leva ao conjunto nacional. ele admitia a culpa. mas ele queria gritar. os berros eram vistos por quem esperava a chuva baixar no center três. eu tenho medo, medo. medo de perder, medo de magoar a pessoa que eu. e ele fez uma pausa. respirou. e naquele instante o instante parou pela primeira vez. ensopados, totalmente molhados. eu amo, que eu mais amo nesse mundo. a pessoa com quem eu quero passar o resto dos meus dias do lado, acordando comigo, dormindo comigo, comendo comigo, brigando comigo, fazendo sexo comigo, ouvindo comigo, pensando comigo, respirando comigo. e ele desmontou. e, enquanto os olhos dele baixavam para o lado, fragilizados, os olhos do outro, tenros, tentavam encontrar os outros olhos. era a primeira vez que dizia aquilo. e era a primeira vez que ouvia aquilo. a mão direita dele sentiu a barba por fazer do outro. os olhos baixos subiram com o carinho da mão. e agora os dois se encaravam. com a palma ainda no rosto e o frio agora na barriga (a chuva não importava mais), o instante parou pela segunda vez. eu te amo pra caralho, do jeito que você falou e até mais. mesmo. e tenho muito medo de perder a pessoa que eu mais amo nesse mundo. agora os outros olhos brilhavam. e os dois se beijavam como da primeira, da segunda, da quinta vez. o gosto de novo ali. e agora pra sempre. dois minutos que duraram dias. em volta, as pessoas do center três aplaudiam e a chuva tinha acabado. um pegou na mão do outro, foram se sentar na escadinha do safra. abraçados, ficaram vendo as pessoas passando pela paulista.
- da série coisas que eu realmente gostei de ter escrito