eine Strasse

uma rua
a street
eine Strasse
une rue
una calle
een straat

por rafael targino

dia 4, 28/10, londres

Royal Albert Hall

Rapidinho porque tenho que sair. Já to escrevendo isso na quinta de manhã e to a fim de ir na City hoje. Pois bem, acho que ontem deve ter sido o dia mais especial até agora. Logo de manhã, um prosaico passeio pelos Kensington Gardens e pelo Hyde Park, ouvindo Diana Krall. Não tinha trilha sonora melhor, com certeza.

À tarde, British Music Experience. Eu a-d-o-r-o música britânica, definitivamente.  A maioria das coisas que eu ouço saíram daqui. E, à noite, show da Diana Krall. Valeu cada pence dos £45. Ela tava em casa, como mesmo disse: super bem humorada, contando caso… teve hora que me senti em um show de stand-up comedy. Tocou música brasileira (bossa nova), como era de se esperar. Na hora em que ela tava contando que estava bêbada em um bar de São Paulo, eu comecei a gritar e aplaudir. Só eu, actually. Os italianos atrás de mim até comentaram alguma coisa, foi divertido. Ela tocou “A Case Of You”, da Joni Mitchell. Quase chorei, é linda demais.

Na volta, ao invés de ir vir pro hostel, peguei um ônibus pra Oxford Street pra poder ir ao Soho. Mas um pedaço da Oxford tava fechada e o motorista se perdeu -ANDOU EM CÍRCULO, JURO - até começar a seguir outro ônibus. Então, só deu tempo de passar num McDonald’s e correr pro Tube, que tava pra fechar. Vou ver hoje como voltar do Soho pra cá. E amanhã eu vou na Popstarz.

Mind the gap.

dia 2, 22/10, amsterdã

Amsterdã

Aluguei uma bicicleta. Bati numa van, machuquei o lábio, ganhei uma história p/ contar. À noite, bêbado, saí andando por Amsterdã. Acabei entrando numa balada de música eletrônica e A-M-E-I. Pulei muito. E nem fui pra pegar ninguém, já que tava com a boca machucada. Nossa, foi sensacional. Diversão sem pressão.

Tinha um casal de alemães aqui no quarto supersimpático. Vieram get stoned em Amsterdã. A mocinha era doida pra conhecer a América do Sul. Recomendei São Paulo. :)

To comendo decentemente pela primeira vez nessa viagem. To indo almoçar na biblioteca.

dia 7, 20/10, berlim

para cada uma das cidades, um moleskine. todos os dias -só falhei em um- escrevia um pouco sobre o que havia sido o dia no lugar e minha impressão sobre as coisas e as pessoas. vou colocar, aos poucos, os mais publicáveis aqui. este primeiro é sobre o último dia em berlim. o relato foi escrito já em amsterdã.

Fernsehturm

Já escrevendo isso sentado num banquinho da Leidsegracht, em Amsterdã. Vou sentir saudades de Berlim - a imagem da Fernsehturm vista da saída da Galeria Kaufhof não sai da minha cabeça.

Cheguei a ir a Tegel pra tentar trocar a passagem e ir pra Antuérpia ver o Arctic Monkeys. Ficou bem cara toda a troca - algo em torno de R$ 1.500. A mocinha da Air France que me atendeu foi supersimpática, tentou todas as possibilidades. A menos pior envolvia trocar a volta para o Rio. Talvez, num arroubo de loucura, eu faça essa troca. Vou até tentar numa loja da Air France aqui em Amsterdã.

Berlim foi maravilhosa, a melhor cidade a que fui na vida. Quero voltar lá logo. Marcou pra cacete. É uma cidade (literalmente) onde todos são loiros de olhos azuis - ou seja, o meu tipo. =P

Volto a escrever mais tarde sobre Amsterdã, já no outro moleskine.

Auf Wiedersehen Berlin,

Küsse.

live forever

maybe, i don’t really wanna know

how your garden grows.

i just want to fly.

maybe i will never be

all the things that i want to be

but now is not the time to cry

now’s the time to find out why

i think you’re the same as me?



é. era isso. e tá na hora.

meninos, eu vi

  • tocar CHORANDO SE FOI numa balada em Londres. E tinha gente cantando (possivelmente brasileiro. Inclusive eu. Hihihi)
  • um motorista de ônibus se perder em Londres e começar a andar em círculos (e eu estava no ônibus)
  • um punk se pegando com outro cara em Berlim
  • a van cinza na minha frente em Amsterdã e o acidente ridículo logo depois
  • tocar Whitney Houston em baladas de Berlim e Londres
  • casais gays andando de mãos dadas nas ruas, nos metrôs e em todos os lugares de Amsterdã, Berlim e Londres
  • fazer sol e calor em Londres no mês que mais chove (outubro). Teve até hora em que tirei o casaco
  • as prostitutas do Red Light District de Amsterdã. Sim, elas existem. E elas variam de gostosas a tribufus
  • o cheiro onipresente de maconha em Amsterdã
  • as pessoas, em Berlim, beberem cerveja como quem bebe água
  • um casal fazer sexo num quarto de hostel com outras seis pessoas dentro em Berlim
  • uma placa avisando gentimente ao visitante que aquela casa não é um puteiro, no Soho, em Londres
  • que há ruas em Amsterdã que me lembram o Vietnã
  • tocar a trilha sonora de Mudança de Hábito na Schwuz, em Berlim (aliás, uma das melhores baladas a que já fui)
  • as pessoas em Londres dirigindo do lado errado (pra gente, né). Nunca sabia pra que lado olhar ao atravessar a rua
  • o show do Groove Armada, em Amsterdã, e o da Diana Krall, em Londres
  • os franceses pegando pão com a mão no São Paulo-Paris-Berlim e na volta. Ecat
  • a motorista gorda de um tram em Amsterdã gritando insandecidamente com um cara que entrou pela porta errada. Não lembro se ele pagou passagem
  • uma Vijzelstraat em Amsterdã
  • um cara disfarçado se apresentar como fiscal da BVG no metrô de Berlim e exigir ticket da galera
  • o Portão de Brandemburgo colorido à noite
  • o jet lag quase me matar de dor de cabeça em Berlim
  • uma velhinha perder os brincos a dois minutos da aterrisagem em Paris, na ida, e enlouquecer a única comissária brasileira da tripulação (claro que a velhinha só falava português, né?)
  • as melhores baladas do planeta: Schwuz, em Berlim, Popstarz e Heaven, em Londres
  • que a palavra UIT, em holandês, se pronuncia OUT. Aí vc fala a palavra uitgang (saída) como outgang. Além disso, IJ se prouncia como ÉIN. Vai entender

A trilha sonora

E eu achava que ia ser alguma coisa do Kings of Leon. Que nada. Acabou sendo a música que eu mais ouvi nessa viagem (inclusive no meu iPod): “I Wanna Dance With Somebody”, da Whitney Houston

fui dar um pulinho ali em berlim e já volto. prometo escrever.

beijos,

as dez melhores dos últimos 24 anos

1. I’ll Take You There - General Public
2. I Bet You Look Good On The Dancefloor - Arctic Monkeys
3. The Way We Get By - Spoon
4. Freedom 90 - George Michael
5. Ants Marching - Dave Matthews Band
6. In Hiding - Pearl Jam
7. Heavy Metal - Clap Your Hands Say Yeah
8. Banquet - Bloc Party
9. On Your Own - Blur
10. All Blues - Miles Davis

    a lista original tinha 13, mas consegui, com dó, cortar pra 10.

    we’d get tired looking at each other

    eles tinham se conhecido por amigos em comum e há um tempo conheciam um ao outro. nada era muito sério, pelo menos em princípio. uma balada aqui, outra ali, precisou de umas três para que trocassem telefones e combinassem a primeira onde se encontrariam. na primeira vez, algo tinha sido diferente. na segunda, na terceira, na quinta, ainda havia o gosto de novo. tudo ia muito bem, mas tudo nublou. começava a chover na esquina da paulista com a augusta. algo tinha saído errado e os dois discutiam e diziam que aquilo não estava certo, e porque você fez isso comigo? e porque você briga tanto assim comigo? o tempo nublado, que tinha virado garoa, tinha virado temporal, cinco e meia da tarde. as pessoas da rua se abrigavam embaixo do center três e eles paravam na paulista com a augusta em frente ao semáforo que leva ao conjunto nacional. ele admitia a culpa. mas ele queria gritar. os berros eram vistos por quem esperava a chuva baixar no center três. eu tenho medo, medo. medo de perder, medo de magoar a pessoa que eu. e ele fez uma pausa. respirou. e naquele instante o instante parou pela primeira vez. ensopados, totalmente molhados. eu amo, que eu mais amo nesse mundo. a pessoa com quem eu quero passar o resto dos meus dias do lado, acordando comigo, dormindo comigo, comendo comigo, brigando comigo, fazendo sexo comigo, ouvindo comigo, pensando comigo, respirando comigo. e ele desmontou. e, enquanto os olhos dele baixavam para o lado, fragilizados, os olhos do outro, tenros, tentavam encontrar os outros olhos. era a primeira vez que dizia aquilo. e era a primeira vez que ouvia aquilo. a mão direita dele sentiu a barba por fazer do outro. os olhos baixos subiram com o carinho da mão. e agora os dois se encaravam. com a palma ainda no rosto e o frio agora na barriga (a chuva não importava mais), o instante parou pela segunda vez. eu te amo pra caralho, do jeito que você falou e até mais. mesmo. e tenho muito medo de perder a pessoa que eu mais amo nesse mundo. agora os outros olhos brilhavam. e os dois se beijavam como da primeira, da segunda, da quinta vez. o gosto de novo ali. e agora pra sempre. dois minutos que duraram dias. em volta, as pessoas do center três aplaudiam e a chuva tinha acabado. um pegou na mão do outro, foram se sentar na escadinha do safra. abraçados, ficaram vendo as pessoas passando pela paulista.

    - da série coisas que eu realmente gostei de ter escrito

    ver o sptv dá um aperto no coração e uma saudade-monstro

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