a street
eine Strasse
une rue
una calle
een straat
A trilha sonora
E eu achava que ia ser alguma coisa do Kings of Leon. Que nada. Acabou sendo a música que eu mais ouvi nessa viagem (inclusive no meu iPod): “I Wanna Dance With Somebody”, da Whitney Houston
1. I’ll Take You There - General Public
2. I Bet You Look Good On The Dancefloor - Arctic Monkeys
3. The Way We Get By - Spoon
4. Freedom 90 - George Michael
5. Ants Marching - Dave Matthews Band
6. In Hiding - Pearl Jam
7. Heavy Metal - Clap Your Hands Say Yeah
8. Banquet - Bloc Party
9. On Your Own - Blur
10. All Blues - Miles Davis
a lista original tinha 13, mas consegui, com dó, cortar pra 10.
eles tinham se conhecido por amigos em comum e há um tempo conheciam um ao outro. nada era muito sério, pelo menos em princípio. uma balada aqui, outra ali, precisou de umas três para que trocassem telefones e combinassem a primeira onde se encontrariam. na primeira vez, algo tinha sido diferente. na segunda, na terceira, na quinta, ainda havia o gosto de novo. tudo ia muito bem, mas tudo nublou. começava a chover na esquina da paulista com a augusta. algo tinha saído errado e os dois discutiam e diziam que aquilo não estava certo, e porque você fez isso comigo? e porque você briga tanto assim comigo? o tempo nublado, que tinha virado garoa, tinha virado temporal, cinco e meia da tarde. as pessoas da rua se abrigavam embaixo do center três e eles paravam na paulista com a augusta em frente ao semáforo que leva ao conjunto nacional. ele admitia a culpa. mas ele queria gritar. os berros eram vistos por quem esperava a chuva baixar no center três. eu tenho medo, medo. medo de perder, medo de magoar a pessoa que eu. e ele fez uma pausa. respirou. e naquele instante o instante parou pela primeira vez. ensopados, totalmente molhados. eu amo, que eu mais amo nesse mundo. a pessoa com quem eu quero passar o resto dos meus dias do lado, acordando comigo, dormindo comigo, comendo comigo, brigando comigo, fazendo sexo comigo, ouvindo comigo, pensando comigo, respirando comigo. e ele desmontou. e, enquanto os olhos dele baixavam para o lado, fragilizados, os olhos do outro, tenros, tentavam encontrar os outros olhos. era a primeira vez que dizia aquilo. e era a primeira vez que ouvia aquilo. a mão direita dele sentiu a barba por fazer do outro. os olhos baixos subiram com o carinho da mão. e agora os dois se encaravam. com a palma ainda no rosto e o frio agora na barriga (a chuva não importava mais), o instante parou pela segunda vez. eu te amo pra caralho, do jeito que você falou e até mais. mesmo. e tenho muito medo de perder a pessoa que eu mais amo nesse mundo. agora os outros olhos brilhavam. e os dois se beijavam como da primeira, da segunda, da quinta vez. o gosto de novo ali. e agora pra sempre. dois minutos que duraram dias. em volta, as pessoas do center três aplaudiam e a chuva tinha acabado. um pegou na mão do outro, foram se sentar na escadinha do safra. abraçados, ficaram vendo as pessoas passando pela paulista.
- da série coisas que eu realmente gostei de ter escrito
essa é a melhor definição que eu já achei sobre são paulo. e, pra mim, é definitiva.
São Paulo é um móbile que você pode destrinchar e montar como bem entender. Em São Paulo, não existe tédio. Em São Paulo, as pessoas se vestem bem e ficam felizes fazendo isso.
O jeitinho idiota dos paulistanos falarem engana um pouco a respeito deles, e não engana também.
São Paulo não dá saudade, dá um tipo de abstinência. Como qualquer droga potente, te leva ao limite da diversão com um risco considerável de se meter numa bad-trip.
Não julgue São Paulo, ou você está lá ou não está.
Do jeito que eu sempre quis, São Paulo foi isso pra mim. São Paulo me ensinou, não a ser responsável, mas sobre o quão irresponsável eu sempre fui. De resto, Sampa, que pode ensinar de tudo a qualquer um, se anula no excesso e depois de um tempo vira aquele colosso com o qual você já se acostumou.
e eu achei aqui. Dica do @joaofellet.
“Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
”
Clarice Lispector
bom. daí que a gente surta, compra uma passagem astronomicamente cara, entra num avião de madrugada, avisa duas pessoas e vai. não dorme durante dois dias, entra em outro avião de madrugada e chega no lado oposto.
1., eu preciso fazer isso mais vezes, 2., sim, vale a pena. eu poderia ficar aqui só repetindo o que todo mundo já sabe, e dizer que dessa vez foi diferente, que não sei o quê. não.
só dá pra dizer que tá chegando a hora. toda cidade começa com uma rua, e o caminho pra ela passa por várias outras. e é daí que começo.
ah. e R$ 108 numa balada não é tão caro quanto parece.
“ homofobia é uma coisa nojenta. eu só posso sentir pena de babacas que acham que gay deve apanhar pra “aprender a ser homem”. quem tem que apanhar, na verdade, é esse tipo de gente ignorante e insignificante. não pra aprender a ser homem. mas pra aprender a ser ser humano. ”